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Whey protein: suplemento pode causar intolerância à lactose? Descubra

Produto é derivado do soro de leite e é amplamente usado para auxiliar na recuperação e construção de massa muscular

O Brasil é um assíduo consumidor de whey protein. Segundo um levantamento da Mordor Intelligence, o mercado em torno do produto em 2026 é estimado em US$ 45,81 milhões (cerca de R$ 237,29 milhões) – uma alta de 5,14% em relação aos US$ 43,57 milhões (cerca de R$ 225,69 milhões) movimentados em 2025. A ingestão do produto, entretanto, pode gerar dúvidas como “será que um produto ultraprocessado à base do soro de leite provoca intolerância à lactose?”.

De acordo com Rafael Longhi, professor de nutrição esportiva da escola de enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esse tipo de rumor não passa de um mito. “Não há dados na literatura científica que demonstrem isso. Nenhum alimento específico é capaz de gerar uma intolerância em si”, diz.

Ele explica que a intolerância à lactose ocorre quando o organismo produz quantidade insuficiente de lactase, a enzima responsável por digerir o açúcar do leite (a lactose). “Entre os sintomas mais comuns estão diarreia, gases, barriga estufada e vômito em situações mais graves”, elenca o especialista. 

A intolerância pode ser congênita (quando está presente desde o nascimento, sendo uma forma mais rara) e também primária ou secundária. “Nos casos primários, ocorre a redução gradual da produção da enzima lactase, e o problema pode se manifestar desde a adolescência até o final da vida adulta. Não há cura, apenas controle dos sintomas, pois o organismo deixa de produzir definitivamente a lactase”, esclarece. 

Já os casos secundários acontecem por redução transitória da produção de lactase, como, por exemplo, em situações de infecções, inflamações intestinais (como na doença de Crohn ou doença celíaca), após o uso de medicações ou mesmo depois de cirurgias do trato gastrointestinal, como as cirurgias bariátricas ou do intestino. 

“Também há casos em que uma pessoa saudável corta alimentos com lactose da dieta sem necessidade. Assim, o corpo para de produzir a lactase e ela se torna intolerante à lactose. Nesses casos, é preciso refazer a microbiota intestinal aos poucos até que o quadro de intolerância seja revertido”, aponta. 

Problema pode ser outro 

O especialista alerta ainda que, muitas vezes, o que as pessoas chamam de “intolerância à lactose” pode ser sinal de outros problemas, como as inflamações crônicas. “Por causa de uma alimentação ruim, com excesso de ultraprocessados ou corantes, por exemplo, a pessoa pode desenvolver um disbiose – caracterizada pela redução de bactérias benéficas e o aumento de microrganismos nocivos”, diz. 

Esse quadro compromete a digestão, a absorção de nutrientes e o sistema imunológico. “Muitas vezes, com o intestino inflamado, a pessoa tem mais dificuldades de digerir a lactose. Não pela ausência de enzimas, mas porque o órgão está desregulado de forma geral”, afirma. 

Na dúvida, procure um médico 

De acordo com Longhi, diante de sintomas suspeitos, somente um médico poderá fazer o diagnóstico e indicar o tratamento correto. “O paciente pode procurar um clínico geral, que poderá encaminhá-lo para especialistas. Assim, será possível descobrir se há de fato uma intolerância à lactose ou algum tipo de inflamação crônica”, orienta. 

Para que serve

O whey protein é um suplemento alimentar derivado do soro do leite. Ele é famoso por ser uma fonte de proteína de rápida absorção e é amplamente usado para auxiliar na recuperação e construção de massa muscular, além de aumentar a saciedade.

Fonte: O Tempo

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