Gestão do governador foi marcada por desgastes com as forças de Segurança Pública no estado.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou que lançará um novo concurso para a Polícia Civil até o fim do seu mandato e que todos os excedentes dos certames da segurança pública ainda em vigor serão nomeados pelo estado. A declaração foi feita nesta terça-feira (6/10) durante a primeira reunião do secretariado no processo de transição para o governo eleito de Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Segundo Simões, a medida tem como objetivo evitar problemas na mudança de governo e alcançar os candidatos aprovados além do número de vagas inicialmente previsto nos concursos. “Todos excedentes da policia civil e da policia penal serao nomeados”, disse o governador.
Ele declarou ainda que o novo concurso da Polícia Civil vai oferecer 3 mil vagas. A medida já havia sido apresentada pelo governador como compromisso de campanha. Em agosto, ele anunciou a proposta de ampliar o efetivo da corporação em 3 mil policiais e, em setembro, voltou a defender a contratação.
A declaração ocorre após a gestão de Simões ter acumulado desgastes significativos com as forças de segurança pública do estado. A cobrança pelo aproveitamento integral das listas de excedentes era uma pauta recorrente das categorias, que apontavam o déficit de delegados, escrivães, investigadores e policiais penais nas delegacias e unidades prisionais do estado. Protestoes e paralizações foram realizados tanto durante o período em que Simões era vice, quanto governador.
A insatisfação das forças de segurança, contudo, extrapolou as pautas salariais e de recomposição de efetivo. Em maio de 2025, a Polícia Civil sofreu restrições diretas na rotina de trabalho devido a um contingenciamento de gastos do Executivo estadual. Na ocasião, denúncias do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol) apontaram que o abastecimento de viaturas foi limitado a apenas cinco vezes por mês, com orientações operacionais que previam desde a economia na troca de marchas até a proibição do uso de ar-condicionado em trajetos urbanos para poupar combustível.
Apesar de nomeações pontuais efetuadas ao longo do mandato para amenizar a pressão — como chamadas fracionadas de aprovados e remanescentes de editais anteriores —, a demora na liberação de novas vagas era atribuída pelo governo aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e às condicionantes fiscais para a renegociação da dívida do estado.
Fonte: O Tempo





