Produção de Hélio de La Peña reúne craques para debater apagamento do legado do maior jogador da história
O ex Casseta & Planeta Hélio de La Peña, ator, roteirista e humorista, acaba de lançar o minidocumentário Pelé, o eterno Rei para tentar entender uma discrepância que divide especialistas: a contagem oficial de gols do tricampeão mundial.
Enquanto o Comitê Olímpico Internacional reconhece 1.282 tentos marcados pelo jogador em sua carreira, a FIFA contabiliza apenas 776 gols em partidas oficiais — uma redução de mais de 500 marcas.
Para La Peña (e para este redator, se o leitor me permite a intromissão), a diferença é anacrônica e não corresponde à historia do futebol.
Segundo o humorista, alguns gols poderiam ser desconsiderados, como aqueles marcados pela Seleção do Exército e amistosos menores, mas a exclusão vai além do razoável.
“Eles acabaram desprezando gols feitos em amistosos que os times faziam na época para faturar, porque antes não tinha patrocínio como tem hoje. E não eram joguinhos desprezíveis, eles jogavam contra Juventus, Real Madrid, Barcelona”, afirma em entrevista.
O debate sobre a história do futebol
A produção, dividida em três episódios disponíveis nos canais UOL, convidou atletas de diferentes gerações para discutir o tema. Participam do projeto o tricampeão Jairzinho, o pentacampeão Vampeta e o zagueiro Danilo, do Flamengo.
O jornalista Paulo Vinícius Coelho, autor de Rei: O livro sobre o homem incomparável a quem tentam se comparar, também contribui com análises sobre o legado do jogador.
De La Peña levanta uma questão incômoda: possíveis motivações financeiras por trás da reavaliação. “Esse tipo de coisa, no fim das contas, tem o objetivo de valorizar os jogadores atuais, que ainda estão rendendo financeiramente. E aí você vai ‘apagando’ aqueles que capinaram essa estrada quando tudo era mato”, explica o criador da produção.
Perspectiva histórica em risco
O minidocumentário também aborda questões raciais e a dificuldade de comparar atletas de épocas distintas. De La Peña defende que Pelé permanece em patamar único na história do esporte: “Todo grande jogador, de alguma forma, é comparado ao Pelé porque ele é referência. Vários jogadores ficaram famosos pelo futebol, mas o futebol só ficou famoso graças ao Pelé”.
Em suma, Pelé virou adjetivo que se empresta aos melhores, sinônimo de grandeza quase inatingível, metáfora para excelência em qualquer área. Não foi por acaso.
Fonte: O Antagonista




