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Minas registra 92 mil trotes ao Samu e reforça alerta sobre risco às emergências

As ligações falsas continuam sendo um desafio para os serviços de urgência e emergência em Minas Gerais. Somente em 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou cerca de 92 mil chamadas classificadas como trotes ou ligações indevidas em todo o estado. O número acendeu um novo alerta das autoridades de saúde, que reforçam a necessidade do uso responsável do serviço para evitar atrasos em atendimentos que podem ser decisivos para salvar vidas. O tema voltou a ser destacado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que chamou a atenção para os impactos causados pelas chamadas falsas nas centrais de regulação. Segundo a pasta, cada ligação indevida ocupa linhas telefônicas, mobiliza profissionais e pode comprometer o atendimento de pessoas que realmente necessitam de socorro imediato. A secretária de Estado Adjunta de Saúde, Poliana Cardoso Lopes, ressaltou que o problema vai muito além de uma simples brincadeira.  — O trote pode ser uma brincadeira para alguns, mas pode significar a vida de outros. O telefone do Samu que está ocupado com uma ligação dessas, deixa de atender uma pessoa que precisa de ajuda urgente naquele exato momento — afirmou. Tempo  Responsável pelo atendimento rápido e especializado em situações de urgência e emergência, o Samu é uma das principais portas de entrada da rede pública de saúde para casos graves. Apenas em janeiro de 2026, o serviço recebeu mais de 184 mil ligações em Minas Gerais. Desse total, aproximadamente 5% foram classificadas como trotes. Na Central de Regulação de Divinópolis, a auxiliar de regulação médica Jéssica Amaral explicou que cada chamada segue protocolos específicos para a coleta de informações essenciais ao atendimento, como identificação do solicitante, endereço da ocorrência, idade do paciente e pontos de referência para localização da equipe. Segundo ela, mesmo quando uma ligação se mostra falsa, há um tempo necessário para que os atendentes identifiquem a situação.  — O tempo é vida. Enquanto um atendente identifica um trote ou trata de um assunto que não configura urgência, pode haver uma pessoa aguardando atendimento para uma situação grave. Até que a equipe perceba que a ligação é falsa, um tempo precioso já foi perdido — destacou. O diretor clínico da Central de Regulação de Divinópolis, Marco Antônio Expedito, reforçou que as informações fornecidas durante o contato telefônico são fundamentais para a prestação do socorro. De acordo com ele, manter a calma e responder corretamente às perguntas feitas pela equipe contribui para que o atendimento seja direcionado adequadamente e para que os profissionais cheguem mais rapidamente ao local da ocorrência. Situação na região Apesar dos números expressivos registrados em Minas Gerais, a realidade da região Centro-Oeste apresenta um cenário diferente. Segundo a assessoria do CIS-URG Oeste, consórcio responsável pela gestão do Samu na região, a central possui atualmente o menor índice de trotes entre todos os serviços de atendimento móvel de urgência do estado. Conscientização Além de atender às ocorrências, o Samu também desenvolve ações educativas para reduzir o número de chamadas falsas. Em diferentes regiões do estado são promovidas palestras em escolas e treinamentos voltados para empresas, hospitais, clínicas, instituições religiosas e comunidades urbanas e rurais. A estratégia busca conscientizar a população sobre os impactos causados pelos trotes e reforçar a importância da utilização correta do número 192, reservado exclusivamente para situações reais de urgência e emergência em saúde. Medidas de combate Como forma de enfrentar o problema, algumas regiões do estado já adotaram mecanismos específicos para identificar e reduzir a reincidência de chamadas falsas. Na macrorregião Centro-Sul foi implantado um sistema antitrote capaz de identificar números com histórico recorrente desse tipo de ocorrência. De acordo com as informações divulgadas, quando um número ultrapassa o limite de 200 trotes registrados, as ligações passam a ser direcionadas para um atendimento automatizado. Caso a pessoa esteja diante de uma situação real de emergência, ela pode confirmar a necessidade de socorro e prosseguir normalmente com a chamada. As medidas buscam preservar a disponibilidade das linhas telefônicas e garantir que os recursos do sistema sejam utilizados para atender ocorrências legítimas. Possíveis punições Além dos impactos operacionais e assistenciais, os trotes também podem gerar consequências legais. O Código Penal Brasileiro prevê punições para casos de interrupção ou perturbação de serviço telefônico de utilidade pública, com aplicação de multa e pena que pode chegar a três anos de detenção. Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 22.452, de 2016, também estabelece multa para o acionamento indevido de serviços de emergência, incluindo o Samu, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar. Diante desse cenário, a SES-MG reforça que o número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais de urgência. Fonte: agora

Trump chama Lula de “volátil” e diz não se importar com o brasileiro

Em entrevista, Donald Trump afirmou que não é fã nem desafeto de Lula e disse que o brasileiro se tornou “muito volátil” O líder dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “não poderia se importar menos” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista publicada nesta sexta-feira (19/6), o republicano também classificou o petista como uma pessoa “muito volátil”. “Não sou fã dele, nem desgosto. Para ser sincero, não penso nele. Não me importo. Mas ele é uma pessoa diferente agora. Muito volátil. Assisti a um discurso dele. Foi muito volátil”, declarou o republicano em entrevista ao portal Axios. Ao ser questionado sobre a relação com Lula, Trump afirmou que não tem uma opinião forte sobre o presidente brasileiro, mas avaliou que ele mudou ao longo dos anos. A fala ocorreu durante uma reflexão mais ampla sobre líderes mundiais. Trump citou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como exemplo de liderança sólida e duradoura e, em seguida, mencionou Lula ao comentar que existem diferentes perfis de governantes ao redor do mundo. Apesar da crítica, o presidente norte-americano reconheceu que chefes de Estado costumam possuir características excepcionais para alcançar o poder. “Não se chega a esse nível sem inteligência”, afirmou. Na mesma resposta, também elogiou o presidente da China, Xi Jinping, a quem chamou de “muito inteligente”. Troca de farpas recente As declarações ocorreram dias após Trump afirmar, durante participação na cúpula do G7, realizada no Canadá, que o Brasil se tornou um país “politicamente difícil”. Na ocasião, o republicano confirmou ter conversado com o petista à margem do encontro e disse ter passado “bastante tempo” com o presidente brasileiro, sem revelar detalhes da conversa. “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, afirmou. Resposta de Lula As declarações do republicano provocaram reação imediata de Lula. Também durante o G7, o presidente brasileiro afirmou que Trump “não conhece o Brasil” e criticou o que classificou como interferência do norte-americano em assuntos internos do país. “Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez que eu encontrar o Trump, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse. “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, afirmou. Resposta de Lula As declarações do republicano provocaram reação imediata de Lula. Também durante o G7, o presidente brasileiro afirmou que Trump “não conhece o Brasil” e criticou o que classificou como interferência do norte-americano em assuntos internos do país. “Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez que eu encontrar o Trump, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse. Fonte: Metrópoles

NY Times elege o hino do Brasil o mais bonito entre os países da Copa

Fonte: Agência Brasil Publicação exalta a introdução orquestral de 28 segundos da canção O jornal The New York Times elegeu o Hino Nacional Brasileiro o mais bonito entre os 48 países participantes da Copa do Mundo de 2026. A matéria, publicada nesta sexta-feira (19) e assinada pelo jornalista Tim Spiers, traz tons de crítica musical com pitadas de humor. A publicação exalta, principalmente, a “gloriosa introdução orquestral de 28 segundos” do nosso hino nacional. “Dura quase dois minutos e, ainda assim, não é suficiente. Tem um monte de palavras cantadas muito rápido em sua maior parte, sobre não temer a batalha, sobre um colosso destemido e uma terra amada, mas o ponto alto é, sem dúvida, a gloriosa introdução orquestral de 28 segundos. Um dos melhores hinos do mundo”, escreveu o jornal. Em meio a elogios, o texto ainda lembra a execução do Hino Nacional na Copa de 2014, quando torcida e jogadores cantaram a plenos pulmões cada verso. Porém, após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, o momento perdeu o brilho e ganhou tons de desespero na imprensa esportiva brasileira. “Para a partida contra Marrocos, não houve o choro e o melodrama que vimos antes da semifinal, em casa, em 2014, mas provavelmente foi melhor assim”, brincou. Curiosamente, o último colocado no ranking do NY Times é justamente o hino da Inglaterra, Deus Salve o Rei. A Inglaterra é o país onde a editoria de esportes do jornal – The Athletic – está baseada. “É terrível. A música se arrasta imperdoavelmente e a letra, ao contrário de qualquer outro hino desta lista, é sobre um homem velho”. Os cinco mais belos hinos dos países participantes da Copa, segundo o jornal, são, na ordem: Brasil, França, Colômbia, Portugal e Escócia.  Hino do Brasil O Hino Nacional Brasileiro foi composto por Francisco Manoel da Silva em abril de 1831, inicialmente sem letra. “Uma vez proclamada a República, convocou-se concurso para substituir esse Hino por outro, próprio para a nova organização política. No entanto, o apego popular à melodia do velho hino não deixou alternativa à sua manutenção”, relata o Ministério das Relações Exteriores, em sua página oficial. Os versos, compostos por Osório Duque Estrada, foram incluídos de forma oficial em 6 de setembro de 1922. Ranking do NY Times

Casa de Caridade Vinde e Vede acolhe mais de 80 pessoas em apenas 3 meses

Fonte: Ascom Santa Casa de Caridade de Formiga Em apenas três meses de funcionamento pleno, a Casa de Caridade Vinde e Vede consolidou-se como um divisor de águas para dezenas de famílias que dependem do atendimento hospitalar na região. Desde que recebeu sua primeira hóspede, no dia 27 de fevereiro, a instituição já acolheu 86 pessoas oferecendo dignidade e conforto em momentos de extrema vulnerabilidade. ​A pioneira a usufruir do espaço foi Maria Aparecida, moradora de Santo Antônio do Monte, que viajou para acompanhar a filha internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Formiga. Na mesma semana, a casa abriu as portas para Aparecida de Fátima Pereira Morais, de Pará de Minas, e Maria Lúcia Ribeiro, de Martinho Campos. “Para mim, a casa foi uma benção. Meu irmão ficou 2 dias internado e, se não fosse a casa de caridade, eu não teria onde ficar”, agradeceu Aparecida. Maria Lúcia também se encantou com a estrutura e acolhimento recebido. “Passei 3 dias confortáveis. Situações de doença não são fáceis de enfrentar, ainda mais longe de casa. Fui bem recebida pelo Francelino e por todo o pessoal. Foi um conforto para a alma, agradeço de coração pelo cuidado oferecido”. Dos 86 hóspedes recebidos, 55 são mulheres e 31 homens. Entre os acolhidos, há moradores de 22 cidades mineiras: Arcos, Belo Horizonte, Betim, Bom Despacho, Camacho, Campo Belo, Carmópolis de Minas, Cláudio, Conselheiro Lafaiete, Divinópolis, Dores do Indaiá, Itaguara, Itatiaiuçu, Itaúna, Lagoa da Prata, Martinho Campos, Oliveira, Pará de Minas, Passa Tempo, Santo Antônio do Amparo, Santo Antônio do Monte e Três Pontas. A hospitalidade do espaço ultrapassa fronteiras, a casa hospedou também uma pessoa da cidade de São Paulo. O relatório de atendimento demonstra o impacto social imediato da iniciativa que oferece suporte humanizado aos hóspedes. Nesse período, 538 refeições foram servidas entre café da manhã e jantar. O espaço foi oficialmente inaugurado em outubro de 2025 e com o lema pautado em solidariedade, cuidado e saúde, tem se consolidado como um braço essencial do atendimento hospitalar, garantindo dignidade, alimentação e estadia para quem mais precisa durante momentos delicados de internação. Acolhimento A Casa Vinde e Vede opera por meio de uma estreita parceria com a Santa Casa, o cadastro de hóspede é realizado pelo serviço de atendimento social do hospital e está disponível para acompanhantes de pacientes internados na UTI e Sala Vermelha. “A Casa de Caridade nasce da profunda necessidade de humanizar ainda mais o atendimento hospitalar em Formiga. Os números mostram que, mais do que oferecer um teto ou uma refeição, o espaço oferece um porto seguro para famílias de toda a região em seus momentos de maior vulnerabilidade”, destaca a administração da Santa Casa. O espaço A Casa de Caridade Vinde e Vede foi inaugurada em 15 de outubro de 2025 pelo idealizador, Francelino Pedroso que tem uma história consolidada em trabalhos sociais em Formiga. Com um olhar atendo às necessidades sociais do município e sob o lema “somos uns pelos outros e somos todos iguais”, ele enxergou a carência de um suporte ao familiares de pacientes atendidos no hospital e edificou a instituição. Localizada na avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, 279, no Engenho de Serra, a casa foi idealizada e construída com recursos próprios de Francelino. O espaço, pensado para oferecer o máximo de aconchego, conta com uma cozinha completa, sala de estar, banheiro social, banheiro adaptado e 4 quartos, todos com suíte. Atualmente, a manutenção da casa é mantida por Francelino, além de contar com a colaboração e doações de empresas e outras instituições do município. “A caridade é o amor em movimento; de todas as ações, é a que mais nos aproxima dos passos de Cristo”, finaliza Francelino.

Prefeitura de Formiga acompanha visita do Ministro da Educação ao IFMG

Fonte: Prefeitura de Formiga A Prefeitura de Formiga acompanhou, na quarta-feira (17), a visita do ministro da Educação, Leonardo Barchini, às obras do ginásio poliesportivo do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Formiga. Durante a visita, foi apresentado o projeto de doação de um terreno do município para a construção de um anfiteatro no campus. A proposta já foi encaminhada à Câmara Municipal e aguarda apreciação dos vereadores. Na oportunidade, o ministro conheceu o projeto e agradeceu a parceria entre a Prefeitura de Formiga e o IFMG, destacando a importância da ampliação da estrutura da instituição para atendimento aos estudantes e à comunidade. A visita também permitiu acompanhar o andamento das obras do ginásio poliesportivo, que contribuirá para a realização de atividades esportivas, educacionais e culturais no campus. A Administração Municipal segue trabalhando em parcerias que contribuam para o fortalecimento da educação e o desenvolvimento do município.

COMUNICADO: CAMPANHA DE HIDROMETRAÇÃO

Fonte: Prefeitura de Formiga Água na medida certa: mais transparência no consumo e mais eficiência no abastecimento. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE Formiga informa que iniciou as ações preparatórias da Campanha de Hidrometração, começando pelo bairro NOVO HORIZONTE, com a instalação de hidrômetros nos imóveis atendidos que ainda não possuem medição individualizada do consumo. Como parte desta etapa, os moradores receberão correspondências informando sobre a implantação dos equipamentos. A previsão é que os serviços de instalação tenham início no mês de julho. A implantação dos hidrômetros permitirá a medição precisa e individual do consumo de água de cada imóvel, proporcionando mais transparência, justiça tarifária, controle e equidade na prestação dos serviços. Além disso, os dados obtidos contribuirão para o melhor monitoramento dos sistemas, subsidiando futuros investimentos e auxiliando na redução das perdas invisíveis. Com a medição individualizada, cada usuário passará a pagar de acordo com o volume efetivamente consumido, tornando a cobrança mais justa e proporcional. O hidrômetro também permite identificar vazamentos internos, desperdícios e outras situações que podem impactar o consumo e gerar custos desnecessários. A iniciativa contribui ainda para o uso racional da água, incentivando práticas de consumo consciente e fortalecendo a preservação dos recursos hídricos. A campanha atende às recomendações da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (ARISB-MG), em conformidade com o Regulamento dos Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário, especialmente o artigo 29, que prevê a medição adequada do consumo como instrumento de eficiência operacional, transparência e justiça tarifária. As equipes contratadas pela Autarquia estarão devidamente identificadas durante a execução dos trabalhos. Em caso de dúvidas, os moradores poderão utilizar os canais oficiais de atendimento do SAAE Formiga. A instalação dos hidrômetros será realizada sem qualquer custo para o usuário. SAAE Formiga: compromisso com a qualidade, a transparência e o uso responsável da água.

Mortes no trânsito causadas por álcool aumentam no Brasil após a pandemia

Homens são as principais vítimas (86,7% das mortes) e respondem por 81,8% das hospitalizações A taxa de mortes no trânsito brasileiro atribuída ao uso de álcool tem registrado seguidos crescimentos desde a pandemia, após cinco anos de queda. Um estudo publicado pela organização não-governamental Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) aponta que em 2024 (dado mais recente) o país registrou a média de 6,2 mortes, em acidentes de trânsito que tiveram o álcool como causa, para cada 100 mil habitantes. O indicador é o maior desde 2016, quando a taxa ficou em 6,4. O levantamento começou a ser feito em 2010, dois anos após a Lei Seca entrar em vigor. A legislação que instituiu tolerância zero de álcool para quem dirige foi sancionada em 19 de junho de 2006. Ela completa 18 anos nesta sexta-feira (19). Os dados são feitos a partir de ocorrências registradas no DataSUS, que reúne informações dos sistemas de saúde nacionais. Para a socióloga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, uma das hipóteses para o indicador voltar a crescer está na disparada no uso de motocicletas desde a pandemia. Em 2019, a frota nacional contava com 23,6 milhões de motos registradas, segundo a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). O número saltou para 28,3 milhões, alta de 20%, maior que o de automóveis, de 12%. “Os desafios aumentaram, o trânsito está mais complexo”, afirma Mariana. Um motorista alcoolizado tem menos atenção e pode atingir mais facilmente uma moto, diz ela. “Há ainda motociclistas que já enfrentam um cenário difícil de trabalho, no caso dos entregadores, que se beberem, podem ficar ainda mais expostos.” O levantamento não especifica o percentual de motociclistas entre os casos de mortos nos acidentes de trânsito analisados. De acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do ano passado, 40% das mortes no trânsito em 2023 foram de motociclistas. A análise do Cisa apontou que 18 estados apresentaram taxa de mortes por 100 mil habitantes superior à média nacional, com Tocantins, Piauí e Mato Grosso registrando os maiores índices. A população masculina é a principal vítima (86,7% das mortes) e responde por 81,8% das hospitalizações por álcool no trânsito, diz o estudo. No total, em 2024, foram 13.075 óbitos – aumento de 6,2% em relação a 2023. Em um desses casos, em outubro passado, quatro pessoas morreram na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Oswaldo Cruz, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o motorista de 52 anos dirigia um Toyota Corolla quando bateu frontalmente com um Santana, que estava no sentido contrário – todos os ocupantes desse carro morreram. O motorista do Toyota passou por teste do bafômetro e o resultado foi 0,38 mg/L de álcool por litro de ar alveolar. Ele acabou preso.O número de mortes cresce, inclusive, com maior fiscalização. O Detran (Departamento de Trânsito) de São Paulo, estado com a terceira menor taxa do país, mais que dobrou o número de blitze para flagrar motoristas embriagados. No ano passado ocorreram 1.272 operações contra 565 em 2024 – 125% a mais. Foram cerca de 20 mil autuações por alcoolemia em 2025 no estado de São Paulo, contra 12,8 mil no ano anterior. “A Lei Seca do Brasil serve de exemplo para o mundo e tem salvado vidas, mas ela sozinha não faz milagres” diz a socióloga.Conforme Flávio Adura, diretor científico da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), o álcool aumenta a gravidade dos ferimentos em caso de acidente, reduz a capacidade de dirigir e altera o comportamento do motorista. “O álcool faz com que o motorista tenha sua capacidade visual e de percepção comprometidas, reaja mais lentamente, tome decisões mais arriscadas e, caso ocorra um acidente, tenha maior probabilidade de sofrer ferimentos graves ou fatais”, diz. Segundo a socióloga do Cisa, estudos mostram que a redução de mortes no trânsito exige consistência. “Isso significa que é preciso haver intensificação das ações de fiscalização, acesso a atendimento de emergência e ações de prevenção que alcancem especialmente o público masculino. Adotar essas medidas conjuntas à lei potencializa a queda da mortalidade”, afirma. Para Mariana, o próximo passo da Lei Seca é ampliar seu alcance, integrando educação, prevenção, fiscalização baseada em evidências e atenção aos novos desafios da mobilidade. “A pergunta não é mais se ela funciona, mas como pode funcionar melhor. O futuro passa por mais educação, tecnologia e fiscalização eficiente. É preciso também construir uma cultura em que dirigir após beber seja socialmente inaceitável”, afirma o médico da Abramet. Em nota, a Senatran diz que mantém uma agenda permanente de ações educativas, de conscientização e de fiscalização voltadas à redução dos sinistros de trânsito, incluindo aqueles relacionados à combinação entre álcool e direção. “As ações da Senatran possuem abrangência nacional e são desenvolvidas em articulação com os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, não havendo campanhas permanentes direcionadas exclusivamente a estados ou regiões específicas”, afirma trecho da nota. AS PUNIÇÕES PARA QUEM BEBE E DIRIGE Dirigir sob a influência de álcool (ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência) – Artigo 165– Infração gravíssima– Multa de R$ 2.934,70– Multa dobra para para R$ 5.869,40 se motorista for flagrado dirigindo alcoolizado mais de uma vez em um período de 12 meses– Suspensão do direito de dirigir por 12 mesesDirigir com capacidade psicomotora alterada pelo álcool (ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência) – Artigo 306– De seis meses a três anos de detenção– Multa– Suspensão ou proibição de se obter a habilitaçãoQuantidade de álcool e consequências– Até 0,33 mg/l é infração de trânsito no artigo 165– Igual ou superior a 0,34 mg/l é crime do artigo 306 do CTBQuem se recusar a fazer o teste do bafômetro– Infração gravíssima– Recusar bafômetro e apresentar apenas um sinal de alteração: multa de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses– Recusar bafômetro e apresentar dois ou mais sinais de alteração: autuação, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e detenção de seis meses a três anos. Fonte:

Sintomas da doença falciforme vão além da anemia; saiba mais

Fonte: Agência Brasil Doença hereditária e genética pode causar dores intensas Genética e hereditária, a doença falciforme é mais abrangente que uma anemia, nome pela qual ela costuma ser conhecida. Em entrevista à Agência Brasil, a hematologista Marimília Pita esclareceu esse e outros mitos sobre essa condição de saúde, que afeta até 100 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde. “Todo doente falciforme é anêmico. A doença falciforme é uma doença sistêmica que afeta todos os órgãos. Ela é genética, hereditária e passada de pais para filhos”, resumiu a médica. Criadora da organização não governamental (ONG) Lua Vermelha, que conscientiza a sociedade sobre a doença falciforme, Marimília Pita também é oncohematologista pediátrica e fundadora do Comitê de Hematologia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade a essa condição genética, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Hemácias em forma de foice A anemia é o primeiro grande sintoma dessa doença que costuma ser diagnosticado. Isso ocorre porque o que causa essa condição de saúde é uma alteração nas hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos, que são as células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio aos tecidos. Em uma pessoa que apresenta essa condição genética, a hemácia perde o seu formato natural, semelhante ao de um grão de feijão, e assume uma aparência mais alongada, parecida com uma foice. Daí o nome falciforme, que significa forma de foice. Hematologista Marimília Pita por Marcelo Machado/RN Imagem “Como essa célula é muito comprida, ela não dura a mesma quantidade de dias que uma célula normal, que dura 120 dias. Na doença falciforme, ela se quebra com 20 dias, 30 e até 80 dias. Então, o paciente está sempre com anemia”.  Além disso, a hemácia comprida é rígida e, quando ela se quebra, entope os vasos sanguíneos, enquanto a hemácia normal é superflexível e leva oxigênio para todos os microvasos do indivíduo. Ao longo da vida, esse paciente passa a sofrer as consequências de as hemácias com esse formato não chegarem a todos os tecidos, ocasionando “microinfartos” que podem atingir desde membros até órgãos, como o coração e os olhos. “Aquela área fica sem sangue, ela não respira, fica infartada, e a função do órgão vai diminuindo. Isso significa que, à medida que o paciente vai crescendo, ele se torna um indivíduo cardiopata, pneumopata, nefropata e, assim, sucessivamente”. Teste do pezinho O diagnóstico da doença falciforme, entretanto, pode se dar antes disso. Há 25 anos, o Ministério da Saúde incluiu uma pesquisa de hemoglobina capaz de detectá-la no Teste do Pezinho, exame obrigatório e gratuito para bebês recém-nascidos. O diagnóstico precoce, ainda na maternidade, torna a evolução do paciente bem mais tranquila, segundo a hematologista. Entre os principais ganhos está a prevenção de infecções, uma das principais causas de morte entre esses pacientes antes dos 7 anos de idade. Na maior parte dos casos, a doença não tem cura, mas pode ser acompanhada e ter seus sintomas atenuados com tratamento médico. Em alguns casos, é possível um tratamento curativo por meio do transplante de medula, quando o paciente atende aos critérios de elegibilidade e encontra um doador compatível. Dor intensa Outro sintoma comum da doença falciforme é a ocorrência de crises de dor intensa. Esse quadro é causado pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice. A dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, podendo, porém, atingir qualquer parte do corpo. Nas crianças pequenas, as crises de dor podem acometer pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço e vermelhidão no local, além de dor. Essas dores podem ser tão intensas que muitos pacientes têm de ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI), para que possam receber morfina, conta a hematologista. Ela lamenta que, muitas vezes, os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com esse quadro de dor aguda. A médica representa o Brasil em um grande estudo internacional com 2 mil doentes, dos quais 260 eram brasileiros. Nesse estudo, só 34% dos pacientes do Brasil receberam morfina durante crises de dor, enquanto, nos Estados Unidos, são 98% e, no Canadá, 99%. “O paciente sofre com isso. E, ao longo do tempo, ele vai piorando clinicamente. E o pior de tudo isso é que esse paciente, na maioria das vezes, é considerado um adicto [dependente químico]. Porque ele chega no pronto-socorro uivando de dor e pedindo, pelo amor de Deus, uma morfina”. Racismo Entre todos os desafios enfrentados pelos pacientes com doença falciforme, Marimília destaca um que vem de fora do corpo dos pacientes: o racismo estrutural. A doença é mais frequente na população negra, porque a mutação genética que causa o quadro teria sido originada no continente africano, explicou a médica. “Então, acontece a questão do racismo, porque é uma doença hematológica, crônica, que mata, e os pacientes são pobres. No Brasil, existe uma relação direta da raça negra com a condição socioeconômica do indivíduo”. A doença, porém, não é restrita ao continente africano nem exclusiva da população negra, principalmente em um país miscigenado como o Brasil.  “É uma doença mundial. Ela ocorre também na Índia, na Arábia, na Europa, nas Américas, na Austrália, no Caribe, em tudo que é lugar do mundo”, reforçou. Diagnóstico cedo Nilceia Alves Gomes da Silva descobriu que seu filho Agner Eduardo da Silva tinha a doença falciforme quando ele ia completar 2 anos.  “Começou com as crises que, até então, eu não sabia o que eram, com dores na mão, no pé, que ficavam inchados. Aí, eu levava ele no pronto-socorro, e os médicos falavam que era algum bicho que tinha mordido e coisas assim”, disse Nilceia à Agência Brasil. Somente quando pagou uma consulta em um médico particular, ela soube que havia a possibilidade de o filho ter doença falciforme, devido a todos os sintomas que estava apresentando.

El Niño fará Brasil ter inverno com menos frio, prevê meteorologia

Fonte: Agência Brasil Fenômeno terá efeitos diversos sobre setor elétrico O inverno no Hemisfério Sul começa exatamente às 5h25 do próximo domingo (21). A nova estação é conhecida pelas temperaturas frias, mas, este ano, terá um caráter um pouco diferente. Por causa do fenômeno El Niño, os brasileiros vão sentir menos o frio nos próximos três meses. A previsão é da empresa de consultoria em meteorologia Nottus, que apresentou, nesta quinta-feira (18), um estudo sobre como o fenômeno climático vai impactar o país. O El Niño se caracteriza quando acontece o aquecimento anormal da região equatorial do Oceano Pacífico. A elevação da temperatura do mar 0,5 grau Celsius (C°) acima da média já caracteriza a condição. A Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) confirmou na última semana o início do El Niño. Chuva e seca No Brasil, a temporada será marcada pela concentração de chuva além no normal na Região Sul, enquanto as precipitações ficam mais curtas e menos intensas no Norte e Nordeste, favorecendo a chance de secas. De acordo com o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas, “os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”. Isso acontece porque a combinação de períodos mais secos e ventos do Norte favorece a elevação gradual das temperaturas, especialmente na segunda metade do inverno. Com isso, “a percepção pode ser de um inverno mais ameno”. Alexandre Nascimento pondera que isso não significa que não haverá frio na estação. “El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos”, diz. Ele aponta que algumas áreas da região central do país devem ter a presença dos veranicos, como são chamados os períodos de tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas, que ocorrem no meio do outono ou inverno.  El Niño no oceano – Ilustração Nottus/Divulgação Meses e regiões Ao destacar as principais características climatológicas dos próximos meses, o estudo mostra que julho deve ser marcado pelo volume de chuva acima da média entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a chuva ganha força a partir das áreas do interior. Agosto deve ter maiores concentrações de chuva no extremo norte do país, além da faixa leste do Nordeste e Região Sul, onde os volumes podem superar a média histórica. Entre Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, aos poucos se estabelece o período seco, típico desta época do ano. “De agosto em diante, a gente pode começar a ter pelo interior do país ondas de calor”, projeta o meteorologista. Para setembro, o destaque fica para a chuva ganhando força no Sul, superando a média climatológica, enquanto o Nordeste terá precipitação abaixo da média ao longo das faixas leste e norte. Mesmo com a previsão de chuva acima da média na Região Sul, o meteorologista da Nottus não identifica, por ora, a chance de temporais como os que devastaram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024.  “Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto”, pontua. Super El Niño Com base em informações da Noaa, Alexandre Nascimento sustenta que, a partir de setembro até fevereiro de 2027, existe grande chance de o El Niño ser muito forte, quando a elevação da temperatura da água supera 2,5 C°. Preocupado com impactos do que está sendo chamado de “Super El Niño”, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para preparar respostas e gerenciar possíveis desastres. Sistema elétrico O El Niño deve persistir até, pelo menos, o primeiro semestre de 2027. Para a empresa de consultoria, é provável que haja efeitos diversos para o sistema elétrico brasileiro, que tem a maior parte da energia gerada por hidrelétricas, ou seja, dependente do regime de chuvas que enchem reservatórios. “Eu acho que, em 2026, o El Niño vai ser até benéfico para o sistema”, diz Nascimento, atribuindo a avaliação à chegada da temporada de chuva no Sul e em partes do Sudeste. No entanto, ele aponta um cenário preocupante para 2027. “No ano que vem, existe uma pressão bem grande, por conta do El Niño, de a gente ter um consumo elevado do primeiro trimestre, por conta de ondas de calor, e não chover tanto no Norte e no Nordeste”, aponta.