Paulo Henrique Jorge

Inflação é a maior para maio em 5 anos e ultrapassa o teto da meta em 12 meses, diz IBGE

No acumulado de 12 meses, o IPCA mostrou alta de 4,72% até maio, depois de marcar 4,39% até abril, disse o IBGE

LEONARDO VIECELI. A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou para 0,58% em maio, após 0,67% em abril, informou o IBGE nesta sexta-feira (12).

Apesar da trégua em relação ao mês anterior, a taxa de 0,58% é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). A variação também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o IPCA mostrou alta de 4,72% até maio, após marcar 4,39% até abril, disse o IBGE. Com o novo resultado, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado. 

A meta serve de base para a política monetária do BC. A instituição passou a cortar a taxa básica de juros (Selic) em março, mas as recentes pressões sobre a inflação e a piora de expectativas acenderam alerta.

O temor de analistas é de que o cenário interrompa o ciclo de queda dos juros antes do que era esperado. A Selic está em 14,5% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, volta a se reunir na próxima semana para definir o patamar da taxa. A decisão sai na quarta (17).

ALIMENTOS PRESSIONAM IPCA

Os alimentos voltaram a pressionar a inflação. No IPCA de maio, a maior variação (1,33%) e o principal impacto (0,29 ponto percentual) vieram do grupo alimentação e bebidas.
Assim, o segmento respondeu por metade do índice mensal, disse o IBGE.

Dentro do grupo, a alimentação no domicílio registrou alta de 1,65%. Houve efeito dos aumentos de produtos como batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,8%) e carnes (1,39%).

“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
Parte da fala do pesquisador é uma referência a água no Irã, que pressionou as cotações do petróleo.

Um dos reflexos iniciais no Brasil foi a alta dos preços dos combustíveis, incluindo o óleo diesel, que pressiona o custo dos fretes nas rodovias. O diesel até caiu de preço em maio (-2,34%), mas a redução não compensou totalmente as altas após o início da guerra. O combustível subiu 13,9% em março e 4,46% em abril.

O horizonte do segundo semestre tem o desafio adicional do fenômeno climático El Niño, que altera a distribuição de chuvas.
Previsões indicam risco de um evento com forte intensidade. A situação pode atrapalhar a produção agropecuária, com eventuais repasses para os preços dos alimentos até o final do ano.

Economistas revisaram para cima as suas estimativas para a inflação da alimentação no domicílio em 2026. Eles passaram a projetar alta de 7% ou mais para o acumulado desse componente.

Na mediana, as expectativas do mercado financeiro apontam IPCA de 5,11% nos 12 meses até dezembro, conforme a edição mais recente do boletim Focus, publicada pelo BC na segunda (8). A estimativa está em alta há 13 semanas consecutivas.

A meta de inflação perseguida pelo BC tem centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa teto de 4,5% e piso de 3% para o acumulado de 12 meses.

A meta é considerada descumprida quando o IPCA permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância no acumulado.

IPCA DE MAIO NOS ÚLTIMOS 5 ANOS – Em %

  • 2021 – 0,83
  • 2022 – 0,47
  • 2023 – 0,23
  • 2024 – 0,46
  • 2025 – 0,26
  • 2026 – 0,58
  • Fonte: IBGE.

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