Caso de influenciadora que denunciou falhas no couro cabeludo após a coleta para a CNH levantou dúvidas sobre o exame
A influenciadora Ana Karolina viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo em que denuncia ter ficado com grandes falhas no couro cabeludo depois de uma coleta de fios para o exame toxicológico obrigatório no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O exame foi realizado no sábado (11/7), em um laboratório de análises clínicas de Sapé, na Paraíba. O caso levantou questionamentos nas redes sociais sobre a quantidade de cabelo retirada, e outros internautas relataram já ter passado por situações semelhantes durante o procedimento.
Segundo a coordenadora do laboratório de Toxicologia da Pardini, Andressa Benedetti Martins, a quantidade aproximada de cabelo necessária para o exame corresponde à espessura de uma caneta. O material é pesado no laboratório e precisa atingir uma massa específica para garantir a reprodutibilidade dos resultados.
A coleta é feita preferencialmente em fios da cabeça porque a lei exige uma janela mínima de detecção de 90 dias. Outro fator é que a amostra do couro cabeludo pode ser “fatiada” pelo laboratório, o que permite identificar em qual mês específico do trimestre houve consumo da substância, algo que os pelos corporais não permitem, já que são analisados por inteiro.
“O comprimento do cabelo está diretamente relacionado à janela de detecção. Como a lei exige no mínimo 90 dias, e cada centímetro representa uma janela de 30 dias, o comprimento mínimo necessário é de 3 centímetros”, explica a coordenadora.
Casos em que o local de coleta pode ser alterado
Quando o candidato não tem cabelo com comprimento suficiente, a lei permite a coleta de pelos corporais. Nesse caso, a janela de detecção se estende para 180 dias, devido à diferença na taxa de crescimento dos pelos em relação ao cabelo. “Há mais fios de pelos na fase de repouso do que na fase de crescimento, o contrário do que acontece com os cabelos, por isso a janela é estendida”, explica Andressa.
Quanto à quantidade, o critério para os pelos corporais é uma amostra equivalente a uma bola de algodão de aproximadamente 2 centímetros de diâmetro, desde que os fios não estejam recém-raspados.
Em último caso, quando há alopecia universal comprovada por atestado médico, o exame pode ser realizado com unhas. “Mas, para isso, o doador precisa obrigatoriamente atestar a alopecia universal”, reforça a coordenadora.
A confiabilidade do exame não varia conforme o tipo de amostra utilizada. Além disso, procedimentos estéticos como tintura, descoloração e alisamento não comprometem o resultado. “Eles não são capazes de gerar um resultado falso positivo ou falso negativo, até porque as substâncias ficam depositadas dentro de células específicas, no interior dos fios”, explica Andressa. Segundo ela, o que pode ocorrer, dependendo do procedimento estético, é uma interferência técnica que impede a reprodução do resultado. Nesse caso, o laboratório não consegue liberar o laudo e solicita uma nova coleta.
As substâncias investigadas pelo exame são anfetaminas, metanfetaminas, cocaína, maconha e alguns opiáceos e opioides, como morfina e codeína. “Se houver consumo, haverá deposição da substância, independentemente de a amostra ser de fios de cabelo ou de pelos corporais”, afirma a coordenadora.
Entenda o caso
Ana Karolina afirma que a profissional responsável pelo procedimento retirou uma quantidade de cabelo maior do que a necessária, puxando os fios pela raiz e cortando rente ao couro cabeludo. Segundo ela, antes da coleta, foi informada de que seriam retirados apenas cerca de 3 centímetros de fios.
A influenciadora relatou que a profissional informou que a primeira amostra precisaria ser descartada por não atender aos requisitos técnicos do exame, e que uma segunda coleta foi feita. “Foi nessa segunda tentativa que ela deixou um buraco enorme e muito visível na minha cabeça”, contou. Ana Karolina afirma que só percebeu a extensão da falha ao chegar ao carro, após o procedimento.
Em nota, o Laboratório Roseanne Dore disse que “lamenta profundamente o ocorrido” e informou que uma apuração interna identificou “uma falha no procedimento”. A empresa disse que o caso “não reflete os valores de cuidado, respeito e acolhimento” da instituição, afirmou que está prestando suporte à cliente e reforçou o compromisso com a melhoria de seus processos.
Fonte: O Tempo





