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Como você reage quando precisa sair do automático?

Diogo Damocles Pereira da Silva / Psicólogo / oesteinfoco

Existe um conforto silencioso em saber o que vem depois.

Conhecemos o caminho, dominamos a rotina e repetimos determinados gestos tantas vezes que já não precisamos pensar sobre eles. O automático nos poupa energia e nos oferece a sensação de controle.

Até que alguma coisa muda.

Uma nova ferramenta, uma responsabilidade inesperada, um desafio diferente ou simplesmente uma situação que nos obriga a fazer algo que nunca fizemos antes.

E então surge aquela pergunta: “E agora, como eu faço?”

O novo frequentemente chega acompanhado de insegurança. Mas existe uma diferença importante entre não saber e não ser capaz.

Na Psicologia, compreendemos a aprendizagem como um processo construído pela experiência, pela tentativa, pelo erro e pela adaptação. Ou seja: não precisamos saber antes de começar. Muitas vezes, é justamente começando que aprendemos.

Talvez seja por isso que uma criança consiga aprender a andar sem transformar cada queda em uma sentença sobre sua própria capacidade. Ela cai, levanta e tenta novamente.

Nós, adultos, às vezes fazemos o contrário. Um erro vira “eu não consigo”. Uma dificuldade se transforma em “isso não é para mim”. E aquilo que poderia ser uma oportunidade de aprendizagem acaba se tornando uma prova contra nós mesmos.

Talvez precisemos reaprender uma coisa simples: não saber ainda não significa não ser capaz.

A vida não nos entrega todos os mapas. Algumas estradas só aparecem depois que começamos a caminhar.

Por isso, diante do novo, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Será que eu consigo?”

Mas:

“O que eu preciso aprender para conseguir?”

Porque, muitas vezes, sair do automático não é perder o controle.

É descobrir que somos capazes de construir novos caminhos.

Psicólogo- Diogo Damocles

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