Petista leva até às últimas consequências máxima petista de que “vale tudo” para vencer uma eleição
Há frases que sobrevivem aos seus autores. Elas atravessam governos, trocam de protagonistas e explicam a forma como certas pessoas fazem política no brasil. Poucas representam tão bem essa lógica quanto a célebre declaração de Dilma Rousseff, em 2014: “Nós (do PT) podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição.”
Na ocasião, a frase foi recebida como um raro momento de sinceridade. Dilma apenas verbalizou aquilo que, historicamente, os petistas sabem fazer muito bem: a responsabilidade fiscal costuma perder espaço para a conveniência política. Ainda mais em ano eleitoral.
Mais de uma década depois, o governo Lula parece decidido a provar que aquela máxima nunca deixou de orientar o PT.
O roteiro é conhecido. Amplia-se o gasto público, multiplicam-se programas sociais, aceleram-se liberações de recursos, anunciam-se benefícios para grupos específicos e flexibilizam-se todos os limites possíveis — sempre embalados pelo discurso da justiça social. A cara de pau é tamanha que Lula resolveu inaugurar túnel sem água e ponte inacabada.
Somente em 2026, a conta já chegou a pouco mais de 200 bilhões de reais. Somente em propaganda, como mostramos nesta semana, serão “investidos” 520 milhões de reais; mais que o dobro empenhado pelo seu antecessor, Jair Bolsonaro, naquele ano eleitoral de 2022: 213 milhões de reais.
Não se trata apenas de aumentar despesas. Trata-se de transformar o Tesouro Nacional em uma máquina de compra de votos. Nunca, nunca na história desse país, fez-se tanto sentido de que a máquina pública pode decidir uma eleição.
O governo insiste em afirmar que todas as medidas possuem caráter estrutural. Mas a realidade fiscal conta outra história. O déficit continua pressionando as contas públicas, a dívida cresce, o mercado exige juros elevados diante da deterioração das expectativas e o próprio governo já admite dificuldades para cumprir suas metas fiscais. Ainda assim, a prioridade permanece sendo encontrar novas formas de ampliar despesas para, no fim e a o cabo, obter mais votos.
Mas Lula nem precisaria de tanto. As falas tresloucadas dos aliados de Flávio Bolsonaro, as artimanhas do senador e até mesmo o fogo amigo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro podem ser mais eficazes do que esse volume de gastos que beira a insanidade.
Se em 2014 Dilma afirmou que o PT poderia “fazer o diabo” para vencer uma eleição; Lula prova que é capaz de erguer um inferno fiscal em nome de um projeto político eleitoral.
E a conta, como sempre, não vence antes da eleição. Vence depois. Para todos os brasileiros.
Fonte: O Antagonista





