Por: Gilmara Melo | Mentora Estratégica | Gerontóloga
Como novidades e aprendizagem estimulam o cérebro
No artigo anterior, falamos sobre hábitos e como a repetição pode tornar determinados comportamentos mais automáticos.
Mas existe um outro lado importante: o cérebro também precisa ser desafiado.

Quando encontramos algo novo, precisamos prestar atenção, compreender informações, lembrar do que já sabemos, fazer relações, tomar decisões e, muitas vezes, encontrar uma solução.
É justamente esse movimento que torna os desafios tão importantes para a aprendizagem e para a estimulação cognitiva, em qualquer fase da vida.
O que acontece quando o cérebro é desafiado?
Imagine uma atividade simples: resolver um jogo de palavras.
Para encontrar a resposta, podemos precisar recuperar uma informação da memória, observar as letras, testar possibilidades e verificar se aquela resposta faz sentido.
Uma única atividade pode envolver várias habilidades cognitivas.
Por isso, a estimulação cognitiva não se resume a “exercitar a memória”. Ela pode trabalhar diferentes funções, como:
- atenção, ao manter o foco em uma tarefa;
- memória, ao recuperar e utilizar informações;
- linguagem, ao compreender e produzir palavras;
- raciocínio, ao estabelecer relações e encontrar soluções;
- funções executivas, ao planejar, organizar e tomar decisões;
- flexibilidade cognitiva, ao mudar de estratégia quando algo não funciona.
Sair do automático também é estimular
Grande parte da nossa rotina acontece de maneira automática. E isso é importante: os hábitos facilitam o dia a dia e ajudam o cérebro a lidar com tarefas conhecidas.
Porém, quando fazemos sempre as mesmas coisas da mesma maneira, temos menos oportunidades de experimentar situações que exigem novas estratégias.
Na estimulação cognitiva, podemos introduzir novidades, variações e desafios adequados.
Mudar uma regra de um jogo. Resolver um problema de outra maneira. Aprender algo novo. Encontrar diferentes respostas para uma mesma questão.
São pequenas mudanças que convidam o cérebro a sair do caminho conhecido.
Aprender não tem idade
Aprender não é uma atividade exclusiva da infância ou da juventude.
Adultos e idosos também podem aprender, desenvolver habilidades e experimentar novas formas de pensar e resolver problemas.
Aprender uma receita, utilizar uma nova tecnologia, conhecer um assunto, praticar uma atividade artística, aprender um jogo ou descobrir uma nova habilidade são experiências que podem envolver diferentes funções cognitivas.
Durante esse processo, precisamos prestar atenção, compreender, memorizar, praticar, corrigir erros e ajustar estratégias.
Aprender coloca diferentes funções cognitivas para trabalhar juntas.
Estimulação cognitiva não é competição
Estimular o cérebro não significa fazer atividades cada vez mais difíceis ou tentar ser melhor do que outra pessoa.
O objetivo é estimular habilidades cognitivas de maneira significativa e adequada a cada pessoa.
Um desafio interessante para alguém pode ser muito fácil ou muito difícil para outra pessoa.
Por isso, uma boa proposta de estimulação cognitiva considera as características, os interesses, a experiência e as possibilidades de quem está realizando a atividade.
O desafio precisa provocar envolvimento e, principalmente, fazer sentido.
Hábitos e desafios podem caminhar juntos
Essa é uma importante conexão com o nosso artigo anterior.
Os hábitos ajudam a criar uma estrutura para nossa rotina.
Os desafios acrescentam novidade a essa estrutura.
Precisamos dos dois.
Uma rotina organizada pode trazer segurança e estabilidade. Novas experiências podem nos convidar a pensar, aprender e experimentar diferentes possibilidades.
Na estimulação cognitiva, essa combinação pode ser especialmente interessante:
repetir para consolidar, mas variar para continuar aprendendo.
Uma pausa para pensar
Quando foi a última vez que você aprendeu alguma coisa nova?
Não precisa ser algo grandioso. Pode ser uma palavra, uma receita, um jogo, uma habilidade ou uma nova maneira de resolver um problema.
Talvez o próximo desafio esteja justamente em fazer algo conhecido de uma maneira diferente.
Estimular o cérebro é oferecer a ele oportunidades para prestar atenção, lembrar, raciocinar, criar estratégias e aprender.
E que tal desafiar o seu cérebro hoje?
Escolha algo novo para aprender ou uma atividade conhecida para realizar de outra maneira.
Comece com um pequeno desafio. Afinal, cuidar do cérebro também pode ser uma experiência de descoberta.





