Medida pode impactar as finanças de diversos clubes brasileiros, a maioria da divisão de elite do futebol nacional
Os clubes de futebol do Brasil somam um total de cerca de R$ 910 milhões em patrocínios vindos de bets. Dos 20 clubes da Série A, 14 têm o patrocínio máster da camisa ligado às bets, dentre eles, Atlético e Cruzeiro.
Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value. Atlético e Cruzeiro arrecadam entre R$ 90 e R$ 35 milhões com o patrocínio das bets. O Flamengo lidera a lista, com R$ 220 milhões fixos de patrocínio por ano. Em segundo lugar aparece o Corinthians, com R$ 150 milhões. Confira abaixo:
- Flamengo – R$ 220 milhões
- Corinthians – R$ 150 milhões
- Palmeiras R$ 100 milhões
- São Paulo – R$ 90 milhões
- Atlético – R$ 62 milhões
- Fluminense – R$ 58 milhões
- Botafogo – R$ 55 milhões
- Vasco – R$ 50 milhões
- Cruzeiro – R$ 50 milhões
- Grêmio – R$ 43 milhões
- Santos – R$ 35 milhões
- Vitória – R$ 20 milhões
- Remo – R$ 12 milhões
- Chapecoense R$ 10 milhões
Segundo o jornal O Globo, com exceção de Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum clube do futebol brasileiro teve o contrato de bet representando mais que 8% de sua receita bruta em 2025. Entre aqueles que têm acordos com casas de apostas, Botafogo (3,8%) e Remo (3,6%) são os que menos dependem atualmente.
Os valores, porém, explicam porque os times soltaram um manifesto contra a Medida Provisória (MP) que proíbe as bets. Estimativas de pessoas envolvidas na operação das empresas apontam que os jogos online representam até 80% do faturamento, o que levaria à necessidade de reduzir os aportes nos clubes.
E não são apenas os clubes que podem sofrer consequências: as duas principais competições organizadas pela CBF também podem ser afetadas. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil têm os naming rights da Betano, uma das principais casas de aposta do país. No caso do Brasileirão, os valores do contrato estimados pelo mercado estão entre R$ 70 e R$ 80 milhões por ano. Os valores pagos pela Copa do Brasil não foram divulgados.
Pelas novas regras, o depósito nas bets fica proibido desde a publicação da MP nesssa sexta-feira (25/9). Os sites ficam no ar até às 23h59 do dia 5 de outubro para que os apostadores possam resgatar seus depósitos. No dia seguinte, o governo inicia uma força-tarefa, com Anatel e CGI (Comitê Gestor da Internet) para tirar todas as plataformas do ar.
Se ainda sobrar dinheiro, entre os dias 6 e 14 de outubro, as instituições financeiras, por ordem do Banco Central, começarão a individualizar os saldos das contas-bolsão das bets a fim de identificar as quantias de cada cliente. Esses dados serão repassados para a Caixa, que fará a intermediação da devolução dos valores remanescentes.
No momento da publicação da MP no Diário Oficial da União, também fica proibida a contratação de novos anúncios de apostas online. Os contratos vigentes poderão ser cumpridos até 5 de outubro.
A medida também determina a proibição de transferências, via Pix ou TED, para CNPJs cuja CNAE esteja ligada a apostas online.
Dados do Ministério da Fazenda, obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que 43,8 milhões de brasileiros já tinham apostado até o fim de agosto, embora a quantidade de apostadores ativos estivesse baixando, devido a restrições já implementadas contra beneficiários de programas sociais e do programa Desenrola, contra o endividamento.
Nos três primeiros semestres de mercado legal, o prejuízo para os jogadores foi de R$ 57,1 bilhões – o valor que as bets faturaram no período.
Fonte: O Tempo





