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Klinsmann analisa surpresas da Copa e aponta seleções que podem se tornar potências

Fonte e fotos : FIFA

Integrante do Grupo de Estudos Técnicos da FIFA, o ídolo da Alemanha revela suas observações sobre o torneio em andamento na América do Norte.

O alemão Jürgen Klinsmann é sem dúvida um dos grandes craques que deixaram sua marca na Copa do Mundo da FIFA™. O ex-atacante disputou três edições do torneio como jogador, ajudando no título da Alemanha Ocidental na Itália 1990 e marcando nada menos do que 11 gols. Também esteve em outras duas edições do torneio como técnico: primeiro, levou a Alemanha às semifinais do Mundial de 2006, disputado em casa, e depois conduziu os EUA às oitavas de final no Brasil 2014. Hoje, Klinsmann está em sua segunda Copa do Mundo da FIFA™ consecutiva como membro do Grupo de Estudos Técnicos da FIFA (GET), cujo objetivo é oferecer análises de ponta de todas as partidas da competição e ajudar a fazer com que a modalidade se desenvolva e seja mais bem compreendida em todo o planeta.

1990 World Cup Final, Rome, Italy, 8th July, 1990, West Germany 1 v Argentina 0, Jurgen Klinsmann holds aloft the World Cup trophy as West Germany celebrate their win (Photo by Bob Thomas Sports Photography via Getty Images)

Entre os integrantes do grupo coordenado por Arsène Wenger e Pascal Zuberbühler estão Otto Addo, Tobin Heath, Jayne Ludlow, Michael O’Neill, Jon Dahl Tomasson, Paulo Wanchope, Aron Winter, Pablo Zabaleta e o brasileiro Gilberto Silva, campeão mundial em 2002. Por conta do papel que desempenha no GET, Klinsmann proporcionou à FIFA suas observações a respeito da primeira edição do torneio com 48 seleções.


FIFA: Qual tem sido sua avaliação geral da Copa do Mundo até agora?

Jurgen Klinsmann: Vimos muitas grandes surpresas no torneio, devido ao fato de 48 seleções terem participado; assim, existem mais algumas seleções correndo por fora do que o habitual em uma Copa do Mundo, e elas se saíram bem. O Cabo Verde pôs a Argentina contra a parede, então tivemos seleções que deram trabalho às grandes potências. O torneio tem sido fantástico até agora em termos de público — todos os estádios estão lotados, o ambiente é incrível e a torcida está festejando em todas as cidades, tanto nos EUA quanto fora. Em um torneio dessa magnitude, ajuda muito que as seleções anfitriãs tenham ido longe. O fato de todas terem se classificado para o mata-mata é muito importante. [A Copa do Mundo] tem sido um enorme sucesso dentro e fora de campo, e acho que todos os torcedores que vieram do exterior são muito positivos em relação ao que viveram e viram.

Por que você acha que as quatro estreantes se saíram bem, especialmente Cabo Verde? O que isso diz sobre o futebol como um todo?

Isso mostra que as eliminatórias são altamente competitivas e que essas seleções estão lá por um motivo e mereceram se classificar para a Copa do Mundo. Se você vem de uma região como a África, precisa ter uma boa equipe, sem dúvida. [As seleções africanas] trazem muita alegria para o torneio e muitos momentos surpreendentes; jogaram um futebol fantástico e isso faz parte da história da Copa do Mundo. No fim, quando chegamos às quartas de final, encontramos os favoritos de sempre; talvez exista uma seleção-surpresa, que não estava nos planos, mas é fantástico ver histórias como essas acontecerem em uma Copa do Mundo, isso dá ao torneio um tempero extra.

MIAMI GARDENS, FLORIDA - JULY 03: Sidny Lopes Cabral #13 of Cabo Verde scores his team's second goal during the FIFA World Cup 2026 Round of 32 match between Argentina and Cabo Verde at Miami Stadium on July 03, 2026 in Miami Gardens, Florida. (Photo by Ezra Shaw - FIFA/FIFA via Getty Images)

O que você achou do Egito, que nunca tinha vencido um jogo na Copa do Mundo antes, ter chegado tão longe, e da Noruega fazer uma grande campanha depois de ficar tanto tempo fora?

São países que se tornarão potências, que têm potencial para se transformar em seleções que, daqui a 15 ou 20 anos, veremos entre as dez melhores do mundo. O Egito sempre teve muito respeito de todo mundo. Ainda não demonstrou isso em uma Copa do Mundo, chegando a uma semifinal como o Marrocos fez [no Catar 2022]. Mas, obviamente, na Copa Africana de Nações, sempre está entre os quatro semifinalistas e conta com jogadores de primeira nas ligas europeias, o que é muita coisa. Em relação à Noruega, vemos um país assumindo agora um papel que tem certa semelhança com a Croácia da década de 1990. [Os noruegueses] têm tanta garra, talento e qualidade que são capazes, nos próximos 10 a 15 anos, de se tornar uma potência mundial como a Croácia é hoje. Vejo semelhanças [dos croatas] com a seleção norueguesa atual porque não se trata apenas de [Erling] Haaland ou [Martin] Odegaard — é muito mais do que isso. Ela tem um banco de reservas muito forte e representa um país extremamente motivado, o que lhe confere uma mentalidade muito positiva para o desenvolvimento de atletas de ponta. Isso também fica evidente nos esportes olímpicos, em que a Noruega está entre as melhores.

ARLINGTON, TEXAS - JULY 03: Mohamed Salah #10 of Egypt celebrates after the team's victory through the penalty shootout during the FIFA World Cup 2026 Round of 32 match between Australia and Egypt at Dallas Stadium on July 03, 2026 in Arlington, Texas. (Photo by Hector Vivas - FIFA/FIFA via Getty Images)

O que você acha de tantos jogadores na casa dos 30 ou 40 e poucos anos disputando sua quinta ou sexta Copa do Mundo?

É incrível e fascinante ver esses atletas entenderem que podem prolongar suas carreiras com um determinado estilo de vida e dedicação à profissão, chegando à quarta, quinta ou sexta Copa do Mundo. [Atuar] com 40 e poucos anos… Ninguém teria imaginado isso há 20 ou 30 anos. Agora vemos isso em todos os tipos de esportes, não apenas no futebol. Para mim, isso serve de inspiração para muitos atletas mais jovens e para as crianças e adolescentes, mostrando que é possível ter uma carreira de mais de 20 anos se você cuidar bem de si mesmo. A dedicação e o foco que eles têm são admiráveis. Neste torneio, temos jogadores experientes, como [Luka] Modric, [Cristiano] Ronaldo, [Lionel] Messi e [Manuel] Neuer, entre outros. Então, temos jovens em ascensão, como Lamine Yamal ou Jude Bellingham, que ainda são bem novos e têm alguém a quem admirar. Se eu fosse o Florian Wirtz e visse o Messi e o Cristiano Ronaldo neste momento, ainda teria entre 15 e 18 anos pela frente, se cuidasse bem de mim e, com sorte, não sofresse lesões graves. É uma ótima referência para a geração mais jovem.

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